Ao Governo da República e à Agência Portuguesa do Ambiente (APA)
O ADN – Distrital de Coimbra, no seu compromisso com a verdade, a defesa dos contribuintes e a gestão pragmática do território, vem manifestar a sua total oposição ao relançamento do projeto da Barragem de Girabolhos e apresentar uma solução alternativa e estruturante que visa a segurança real das populações e a valorização do rio Mondego.
1. Girabolhos: Um Erro Estratégico e uma Falácia Política
O relançamento do concurso para a Barragem de Girabolhos, após ter sido cancelado em 2016 por inviabilidade económica, é uma decisão precipitada que o ADN rejeita categoricamente:
Desfasamento Geográfico e Ineficácia: A barragem está projetada para o concelho de Seia, a 200 km de distância de Coimbra. É geograficamente insustentável e tecnicamente enganador apresentar uma obra localizada tão a montante como a solução milagrosa para as cheias que assolam o Baixo Mondego. A área de influência direta da barragem abrange menos de 15% da bacia hidrográfica, sendo incapaz de controlar os caudais nas zonas críticas.
Desperdício Financeiro: Com um custo oficial de 300 milhões de euros (que especialistas projetam superior a 500 milhões), trata-se de um “elefante branco” que drena recursos públicos vitais para obras de prevenção imediata.
Ilegalidade Ambiental: O avanço do projeto com uma Declaração de Impacte Ambiental caducada há mais de uma década é inaceitável. O ADN exige a suspensão imediata do processo até que estudos atualizados e independentes sejam escrutinados.
2. A Alternativa do ADN: “Mondego Vivo e Seguro”
Em substituição ao betão de Girabolhos, o ADN propõe um investimento focado na gestão inteligente e direta do curso baixo do Mondego, onde o risco de cheias é real e o potencial de valorização é maior:
A. Desassoreamento e Limpeza (Prioridade Imediata)
O foco deve ser o curso do rio desde Coimbra até à Foz. A limpeza das margens e o desassoreamento do leito são as medidas mais eficazes para aumentar a capacidade de vazão do rio. Ao remover sedimentos e detritos, garantimos maior segurança às populações e protegemos os solos agrícolas, com um custo-benefício incomparavelmente superior ao de qualquer barragem situada a centenas de quilómetros.
B. Restauro Ecológico e Florestal
O problema das cheias é, em grande parte, fruto da má gestão da floresta a montante e da impermeabilização dos solos. O ADN defende a inversão da desflorestação da serra e a recuperação das zonas húmidas, medidas que permitem a retenção natural das águas e protegem a biodiversidade, a flora e a fauna do ecossistema do Mondego.
C. Valorização e Navegabilidade
Propomos transformar o Mondego numa artéria de desenvolvimento. O investimento deve servir para tornar o rio navegável, criando um ativo económico para o turismo fluvial e para a ligação sustentável entre o interior do distrito e a costa. Uma via navegável é, por definição, uma via limpa e gerida com manutenção constante, o que garante a segurança preventiva contra inundações.
3. Conclusão: Por uma Governação de Bom Senso
O ADN recusa a política de fachada. O que o Mondego precisa não é de ser represado por uma infraestrutura obsoleta, mas sim de ser limpo, conservado e dinamizado.
Enquanto o Governo insiste num projeto de alto impacto ambiental e duvidosa eficácia, o ADN propõe uma alternativa centrada na realidade:
Stop Girabolhos: Suspensão imediata do projeto.
Ação no Baixo Mondego: Implementação do plano de desassoreamento e restauro das margens.
Visão de Futuro: Promoção da navegabilidade como motor económico e garantia de manutenção permanente do leito.
O ADN – Coimbra exige bom senso e uma governação que priorize, acima de tudo, a segurança das populações e a proteção do nosso património natural.
ADN – Portugal Primeiro. Coimbra Primeiro.

