A MOÇÃO DE CENSURA QUE FALTA E NINGUÉM QUER SABER

O ADN considera que a moção de censura anunciada pelo Chega vem tarde, porque há em Portugal problemas bem mais graves do que este e que nunca mereceram do partido uma iniciativa semelhante.
Quanto ao ministro em causa, a nossa posição é clara: deve ser imediatamente demitido. A sua permanência no Governo é indefensável. Mas o Governo devia cair não por causa de um ministro, devia cair pelas políticas que continua a impor contra o país e contra os portugueses.
A moção do Chega deve ser analisada com seriedade. Não pode, porém, ser confundida com uma operação de propaganda política. Uma moção de censura serve para questionar a política geral de um Governo e a sua continuidade, não para instrumentalizar a demissão de um ministro e gerar pressão mediática em torno dela. Censurar todo um executivo, essencialmente por causa de uma pessoa, depois de tudo o que aconteceu e continua a acontecer em Portugal, é tratar o assunto como uma brincadeira de crianças.
E é aqui que o ADN questiona a moção do Chega.
Onde esteve a moção de censura pela gestão da pandemia e pela mortalidade excessiva dos últimos anos?
Durante a pandemia tomaram-se decisões que afectaram profundamente as liberdades, os direitos e a vida dos portugueses. O ADN esteve na linha da frente a denunciá-las. Hoje sabe-se que existe uma mortalidade excessiva por explicar e não há sequer uma Comissão de Inquérito Parlamentar, quanto mais uma moção de censura. Os principais responsáveis pelas inoculações forçadas, pela coerção sanitária, pela ausência de consentimento informado e pelas decisões tomadas sem salvaguarda de direitos fundamentais estão a ser julgados nos Estados Unidos, muitos deveriam sê-lo também em Portugal. Mas todos os partidos se calam, o Chega incluído, que nunca considerou isto motivo de censura ao actual Governo, nem sequer perante os graves ataques à Constituição ocorridos nos executivos anteriores.
Onde esteve a moção de censura pela política de imigração e de atribuição de nacionalidade?
O ADN denuncia há anos a falta de controlo e de coragem política nesta matéria. O Chega diz defender posições semelhantes, mas quando teve a oportunidade de transformar essa preocupação numa verdadeira batalha parlamentar, onde esteve essa moção de censura?
E onde esteve a moção de censura pela carga fiscal, pelo custo de vida e pelos impostos sobre os combustíveis? Os portugueses continuam a pagar impostos elevadíssimos, enquanto enfrentam uma habitação incomportável, a perda de poder de compra e dificuldades crescentes para sustentar as suas famílias.
Estes não são problemas de um ministro. São problemas de Portugal.
Por isso a pergunta é inevitável: se nada disto foi, até agora, suficiente para o Chega apresentar uma moção de censura, porque é que um único ministro passou a sê-lo?
O ADN não defende este Governo, pelo contrário, quer a sua queda. Temos sido críticos quando outros preferiram o silêncio. Mas não nos vamos alinhar com iniciativas pensadas mais para produzir manchetes do que para resolver os problemas dos portugueses.
Estamos aqui para defender uma alternativa. Se este Governo merece ser censurado, que o seja pela sua política, pela incompetência, pelas decisões e pelos resultados, e não porque a Assembleia da República se transformou em palco de guerras partidárias.
O ADN desafia o Chega a apresentar, em Outubro, uma nova moção de censura, desta vez sobre um dos três temas aqui identificados: a gestão da pandemia e a mortalidade excessiva, a política de imigração e de atribuição de nacionalidade, ou a carga fiscal e os impostos sobre os combustíveis.
A moção agora apresentada, nestes moldes, dificilmente será levada a sério pelos restantes partidos na Assembleia da República. Se o Chega quer mesmo censurar a política deste Governo e defender os portugueses, aqui tem a oportunidade de o demonstrar. Menos espectáculo, mais coragem política.
Portugal não precisa de brincar às moções de censura. Precisa de quem tenha coragem para fazer diferente.
#ADN #VERDADN #moçãodecensura

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