O SILÊNCIO ENSURDECEDOR DAS TELEVISÕES E DAS AUTORIDADES PORTUGUESAS

Há momentos em que uma notícia deixa de ser apenas uma notícia.

Transforma-se numa pergunta.

E há perguntas que, numa democracia, deveriam ser inevitáveis.

O ADN ESTEVE LÁ DESDE O INÍCIO

É também por isso que o ADN não deve permitir que a sua própria história seja esquecida. O ADN não começou a questionar estas matérias quando se tornou fácil fazê-lo. Esteve lá desde o início. Questionou medidas, levantou reservas e defendeu o debate e o contraditório numa altura em que fazê-lo era muito mais difícil.

Não se trata de reclamar a propriedade da contestação à pandemia. Trata-se de memória, de coerência e de reconhecer que, enquanto muitos preferiam não questionar, o ADN questionou.

Hoje, perante novas informações, o debate que então defendemos continua a ser necessário. Não para retaliar nem para condenar antecipadamente, mas para saber.

A AUDIÇÃO – 29 de julho de 2026.

Anthony Fauci compareceu perante a U.S. Senate Committee on Homeland Security and Governmental Affairs, numa audição formal de fiscalização e investigação.

Não compareceu simplesmente como convidado.
Depois de inicialmente aceitar prestar depoimento voluntariamente, acabou por ser chamado através de uma subpoena — uma intimação parlamentar formal que obriga uma pessoa a comparecer e prestar depoimento. O paralelo funcional mais próximo, em Portugal, será uma convocação no âmbito de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, embora os mecanismos não sejam juridicamente equivalentes.

Fauci compareceu como testemunha, sob juramento, e invocou repetidamente a Quinta Emenda da Constituição dos Estados Unidos, recusando responder a numerosas perguntas com fundamento no direito contra a autoincriminação.

Não foi, portanto, uma simples entrevista ou uma intervenção política informal. Foi uma audição parlamentar formal perante uma comissão do Senado dos Estados Unidos.

E ENTRETANTO SURGIU UM NOVO ELEMENTO – 18 de agosto de 2026.

Quando julgávamos que a audição de 29 de julho já tinha deixado questões suficientes sem resposta, surgiu uma nova revelação: David Morens, antigo alto conselheiro de Anthony Fauci no NIAID, declarou-se culpado, em tribunal federal, de uma conspiração relacionada com a ocultação de registos governamentais sobre investigação de coronavírus.

Fauci não é acusado nesse processo.
Mas a coincidência é difícil de ignorar: um antigo alto conselheiro de Fauci declarou-se culpado por uma conduta relacionada com a ocultação de informação, enquanto o próprio Fauci, poucas semanas antes, se recusara repetidamente a responder às perguntas do Senado, invocando a Quinta Emenda.

Isto não permite afirmar que Fauci tenha cometido qualquer ilícito. Mas permite fazer uma pergunta perfeitamente legítima:

O que está por esclarecer? E, perante esta nova informação, o silêncio torna-se ainda mais difícil de compreender.

POR QUE É QUE ISTO INTERESSA A PORTUGAL?

Porque Anthony Fauci não foi uma figura periférica na discussão da pandemia.
Foi uma das principais autoridades sanitárias dos Estados Unidos e uma das figuras internacionais que a comunicação social portuguesa apresentou repetidamente como referência.

Portugal foi, aliás, apresentado durante a pandemia como um exemplo mundial de adesão à vacinação contra a COVID-19. Em 2021, o Governo anunciava que 85% da população tinha o esquema vacinal completo.

Por isso, perante o que está hoje a acontecer nos Estados Unidos, há perguntas que não podem continuar sem resposta:

Onde está o Ministério da Saúde? Onde está a Direção-Geral da Saúde? O que tem a Ordem dos Médicos a dizer? E que avaliação fazem hoje os responsáveis políticos que governaram durante a pandemia, e os que governam actualmente, perante aquilo que está a ser investigado nos Estados Unidos?

Não se exige uma condenação antecipada. Exige-se escrutínio.

E há ainda outra pergunta que não pode ser esquecida: já alguém pediu desculpa aos médicos, aos profissionais de saúde e a outros profissionais de diferentes áreas que, durante a pandemia, foram censurados, perseguidos ou prejudicados material e reputacionalmente por terem ousado questionar a narrativa dominante? Quem lhes restitui hoje a reputação? Quem reconhece o que lhes foi feito? E quem assume a responsabilidade?

Porque uma democracia não pode exigir coragem para questionar quando é necessário e, depois, fingir que nada aconteceu quando o tempo começa a dar razão a algumas das perguntas que então foram feitas.

E AS “PORTAS GIRATÓRIAS”?

Há ainda uma questão institucional que merece ser colocada.

A actual Directora-Geral da Saúde, Rita Sá Machado, trabalhou na Organização Mundial da Saúde, em Genebra, antes de assumir a liderança da DGS em Portugal. A sua trajectória profissional não constitui, por si só, qualquer irregularidade.

Mas, em democracia, é legítimo questionar as chamadas “portas giratórias” entre organizações internacionais, estruturas governamentais e autoridades nacionais de saúde? Sim, é!

E a questão não é saber se Rita Sá Machado é culpada de alguma coisa. Não estamos a afirmar isso. A questão é saber se, perante tudo o que entretanto aconteceu e perante as questões que hoje estão a ser levantadas sobre a actuação de Anthony Fauci e das estruturas que o rodeavam, a actual Directora-Geral da Saúde está em condições de fazer uma avaliação verdadeiramente independente das orientações e políticas que, durante anos, foram defendidas pelas instituições internacionais com as quais esteve profissionalmente ligada.

Conseguirá ser uma boa juíza de si própria? E, perante a dimensão e a gravidade das questões que entretanto vieram a público, estará em condições de continuar a exercer o cargo com a independência e a distância institucional que dele se exigem? Não estamos a afirmar que não esteja. Estamos a perguntar. E estas não são acusações, são perguntas perfeitamente legítimas numa democracia, onde ninguém — por mais elevado que seja o cargo ou a autoridade institucional que represente — deve estar acima do escrutínio público.

VEJA. OUÇA. TIRE AS SUAS CONCLUSÕES.

Não é preciso acreditar neste texto. Veja a audição, ouça as perguntas, as respostas e também as recusas de resposta, leia os documentos oficiais e forme a sua própria opinião.

 
 

 

 

⚠️ OS 7 MOMENTOS MAIS MARCANTES DA AUDIÇÃO

1️⃣ SENADORA JONI ERNST – UM DOS MOMENTOS MAIS CHOCANTES

Duração: cerca de 11 minutos.

Tema: Questiona Fauci sobre investigação financiada pelo NIH envolvendo tecido fetal humano utilizado para criar modelos experimentais (“humanized mice”), incluindo a questão dos ratinhos e dos enxertos de pelo.

2️⃣ SENADOR JOSH HAWLEY

Duração: cerca de 14 minutos.

Tema: Confronto muito directo sobre a invocação da Quinta Emenda, responsabilidade e prestação de contas.

3️⃣ SENADOR BERNIE MORENO

Duração: cerca de 13 minutos.

Tema: Críticas incisivas às políticas adoptadas durante a pandemia e ao impacto dessas decisões.

 
 

 

 

4️⃣ SENADOR RON JOHNSON

Duração: cerca de 15 minutos

Tema: Perguntas detalhadas sobre a resposta à pandemia, investigação científica e documentação oficial.

5️⃣ SENADOR RAND PAUL — PRESIDENTE DA COMISSÃO

Duração: cerca de 12 minutos.

Tema: Declaração de abertura e enquadramento da audição, conduzindo alguns dos momentos mais tensos da sessão.

6️⃣ MOMENTO EM QUE O ADVOGADO DE FAUCI É EXPULSO DA SALA

Duração: cerca de 4 minutos.

Tema: Um dos episódios processuais mais invulgares da audição, quando Rand Paul ordena a saída do advogado de Fauci.

 
 

 

 

7️⃣ SENADOR JOHN FETTERMAN – PARTIDO DEMOCRATA

Duração: cerca de 2 minutos.

Tema: Uma breve intervenção em defesa de Fauci, essencialmente assente na sua experiência pessoal durante a pandemia, contrastando com o teor e a extensão das perguntas que marcaram a restante audição.

Em apenas dois minutos, naturalmente, não haveria muito espaço para desenvolver uma argumentação substantiva. Ainda assim, a intervenção acabou por funcionar como uma espécie de entrada em campo contra a corrente do jogo, num momento em que a maioria das perguntas colocadas a Fauci seguia uma linha de escrutínio bastante diferente.

É precisamente por isso que vale a pena ouvi-la: o contraste fala por si.

 
 

 

 

FONTES INSTITUCIONAIS E DOCUMENTAÇÃO

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